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  • Carlos Alberto Dória

São Paulo

A cidade acordou coberta de triângulos de folhas metálicas douradas e prateadas, atiradas de aviões teco-teco; um magnífico símbolo, desenhado por Oscar Niemeyer, dominava por toda parte, como uma bandeira que congregava a todos, acima do Corinthians ou do Palmeiras; o que era um pântano, de árvores apodrecidas como dizia seu nome, tornou-se um magnífico parque povoado de edifícios modernos, também de Niemeyer, por todos os lados: daí por diante seria o Ibirapuera, nome que ninguém saberia o que significava em tupi. Pelas ruas, os bondes, os ônibus elétricos; e os Dadinhos de amendoim, modernizando a paçoca e a imortalizando sob uma embalagem prateada estampando a mesma escultura de Niemeyer, já se encontravam em todas as padarias e prontos para ganhar a cidade em definitivo. Era a manhã do dia 25 de janeiro de 1954 e São Paulo acordou com 400 anos.


São Paulo se renovava, enchia-se de esperança sob a certeza de que seria uma cidade melhor. 67 anos se passaram e a certeza ainda não se realizou. O pântano mudou-se para as periferias da cidade; o centro se fechou envolto num cinturão de avenidas que separam os paulistanos; as árvores caíram; a garoa secou; os bondes sumiram; os bairros horizontais quase desapareceram por completo; os vendedores de rua foram pegos pela fiscalização; a Praça da Republica tornou-se abrigo de mendigos; os Campos Elísios até mudaram de nome para Cracolândia. Neste 467º aniversário vamos recomeçar, como se tivéssemos apenas 400 anos e um sonho de irmanação e urbanidade do qual ainda não esquecemos.


Carlos Alberto Dória

@cadoria

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