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  • Carlos Alberto Dória

Pauliceia Desvairada

Em 1922, há quase 100 anos, o mulato Mário de Andrade chamou a atenção para uma parcela da Paulistânia cuja marca seria o inconformismo, a vontade de mudar e experimentar o mundo em sua plenitude. No livro de poemas “Paulicéia Desvairada”, no famoso poema Ode ao Burgues, insultou o burguês-níquel, “o homem que sendo francês, brasileiro, italiano, é sempre um cauteloso”. Rebelou-se contra o signo da Paulistânia, ao denunciar “O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!”. Desejou a morte à gordura, “Morte às adiposidades cerebrais”.


A São Paulo livre que queria era aquela cidade aberta às influencias estrangeiras, aos influxos de fora, combinados com as tradições da Paulistânia. Coisa que Gilberto Gil clamaria ainda décadas mais tarde, como misturar chiclete com banana..


A Paulicéia é o microcosmo da Paulistânia aberta ao mundo. Onde tudo se mistura gostosamente. A Paulicéia é que tira da Paulistânia aquele limite provinciano quase sufocante, ao misturar macarrão ao arroz com feijão, graças aos italianos que aqui chegaram para tentar fazer o mundo à sua maneira. A Paulistânia resistiu um bom tanto, e gerou o sincretismo da Paulicéia Desvairada.


Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!

Oh! purée de batatas morais

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Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,

sempiternamente as mesmices convencionais!

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Fora! Fú! Fora o bom burguês!.


E, portanto, saúde-se como em Mário, a mistura, a incoerência, a influência que nos força ao inconformismo, o movimento, o mundo moderno, a Paulicéia e seu desregramento no modo de proceder, seu delírio!


Carlos Alberto Dória

@cadoria

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