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  • Carlos Alberto Dória

O aqui e agora do fim

“Quando acordou o dinossauro ainda estava lá”, este microconto do guatemalteco Augusto Monterroso, morto em 2003, parece ter sido escrito para este final de 2020. Ainda estamos aqui, mesmo nos sentindo extintos, como sobreviventes a portar toda a esperança em nome da espécie.


Não há o que comemorar do passado, exceto o fato de estarmos aqui para viver o hoje, sem saber o que ele nos reserva. Na verdade nunca sabemos. Inventamos um hoje, um amanhã, para continuarmos de algum modo ligados ao ontem.


O “manto de apresentação” com que pretendia se apresentar diante de Deus, Arthur Bispo do Rosário não pode usa-lo na ocasião. Como ele mesmo dizia, “a vontade de durar, de se agarrar na borda, na reborda do tempo, o arco, de tanto se curvar, acaba se quebrando”. E quebrou.


Olhando desse final de 2020, a esperança é que nada mais se quebre, e que ainda estejamos aqui. Que seja para um tango, um beijo no asfalto, ou uma batida de limão. Portanto viva 2020, que nos trouxe até aqui!


Carlos Alberto Dória

@cadoria

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