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  • Carlos Alberto Dória

Natal

Cada vez menos cristão e mais comercial, o Natal não perde a característica de reunião, encontro familiar. O que o caracteriza é a troca, o presente. Dar algo para alguém, receber algo de alguém, atos que criam um vínculo que se estende até o ano próximo como possibilidade de retribuição.


Receber sem dar de volta não dá certo. É sinal de que a relação entre aquelas pessoas é desigual, sem reciprocidade, hierarquizada. É como se as coisas tivessem um espírito capaz de contaminar as pessoas que não retribuem na mesma medida. Essa lei universal de constituição dos vínculos sociais foi apropriada pelo comércio, parecendo que você precisa dar um par de sapatos para fazer jus a uma batedeira, por exemplo. Nada mais falso!


Dar é dar-se. Que seja um abraço, um beijo. Há quem ligue para os pais só no Natal. Para que? Para manter o vínculo, ainda que tênue. O que flui pelos vínculos é o que chamamos vida.


Quem não se dá não vivifica o vínculo. E há uma inteligência social em marcar uma data para isso. Ainda que não circulem bens materiais, para suplicio do Papai Noel e das Casas Bahia.


Carlos Alberto Dória

@cadoria

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