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  • Carlos Alberto Dória

Horta Caipira

A horta caipira, sempre no fundo da casa, é fruto do encontro da tradição ibérica e guarani. Os primeiros tinham a horta próxima da casa como se fosse uma farmácia: o nabo, a cenoura, o salsão, a salsinha, o coentro, a cabola, o alho – todos tinham sua função medicinal segundo a “medicina galênica” que foi seguida até o final do século XVIII. Já os garanis faziam o que modernamente se chama “manejo florestal”. A própria floresta era a sua horta e pomar.

O sitio caipira faz a síntese disso. Junta os vegetais europeus e os nativos que os colonizadores apreciaram. Além disso, algumas hortaliças europeias “fugiram” do controle e passaram a se reproduzir de maneira espontânea, como a serralha em terrenos onde se derrubava a mata. Como resultado temos as ervas européias, a berdoega, o peixinho da horta, o chuchu, o quiabo, a abóbora, a abobrinha, o tomate, o amendoim, as pimentas vermelhas, a mandioca, o milho e uma infinidade de outros vegetais, inclusive frutíferas, como marmelo, goiaba, jabuticaba, maracujá, banana.

Por essa seleção e concentração no sítio caipira, nasceu a goiabada como a “marmelada da terra”, o purê de abóbora ou quibebe (originalmente misturado à farinha de milho) e assim por diante.

O sítio foi o grande laboratório gustativo da cozinha caipira. Sem considera-lo não se compreende como essa cozinha se formou. E sem a horta, o pomar, o chiqueiro e o galinheiro esse modo original e saboroso de comer simplesmente não existiria.

Essas coisas fariam a graça das “férias no sítio”, tão comum na literatura infanto-juvenil de Monteiro Lobato, por exemplo. E renascem hoje como o encanto de um mundo que não ficou para trás, simplesmente porque marcou fundo nosso modo de ser, nosso gosto, nossa cultura.


Carlos Alberto Dória @cadoria

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