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  • Carlos Alberto Dória

Guerras do Alecrim e Manjerona

Quando Antônio José da Silva (apelidado “o judeu”) escreveu sua ópera joco-séria, intitulada “A guerras do Alecrim e da Manjerona” (1737), a cozinha europeia começava mesmo a substituir as especiarias do Oriente pelas ervas da horta. E nos coube a vinda de um contingente de portugueses que marcaram definitivamente, entre nós, certas fronteiras culinárias. Portugueses do sul de Portugal, que foram ter ao Nordeste e ao Norte, apreciavam os coentros. As célebres “coentradas”. Hoje é impensável uma moqueca baiana sem coentro. Ou algum caldo paraense sem coentrão (chicória do Pará). Já os portugueses que vieram do norte de Portugal, usavam largamente a salsinha. Vieram para São Paulo e Rio de Janeiro, com o objetivo de ir às minas. Como resultado ficou, entre nós, uma guerra original: guerra do coentro e da salsinha!

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Uma guerra insanável. Há pessoas dos estados do sudeste que simplesmente odeiam coentro, capazes portanto de criar uma guerra. E esta oposição é capaz de revelar uma verdadeira fronteira na culinária brasileira. Coisa a sempre estudar, em vez dessa bobagem de levar a sério falsas fronteiras, pois políticas e não culinárias, que opõem mineiros, paulistas, goianos, paranaenses, etc, criando uma mitologia que não esclarece nada. Se procurássemos traçar mais exatamente os limites entre o coentro e a salsinha teríamos um mapa culinário muito mais útil do que ir a reboque do Estado ou da indústria do turismo, que raciocinam por unidades da federação. O mesmo se aplicaria ao pequi, não é mesmo? Tudo o que se ama ou odeia dá um mapa! O que mais você sugeriria como divisor de águas.


Carlos Alberto Dória

@cadoria

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