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  • Carlos Alberto Dória

Café

Meu avô produzia cafés em sua fazenda em Ibitinga (SP). Não cansava de me admirar, nas férias, de ver aquele trabalho intenso de colher, esparramar pelo terreiro, amontoar no fim da tarde, cobrir com lona, esparramar de novo na manhã seguinte até secar. E, depois, vinha o beneficiamento em esteiras, tirando-se a sujidade, o ensacamento, a remessa para compradores.

Um pequeno lote era separado e torrado na própria fazenda, em dias totalmente tomados por um delicioso aroma. Por fim, moído e acondicionado em latas e distribuído pelos parentes. Era o melhor café do mundo – todos estavam convencidos.

Visitadas hoje essas memórias, não sou capaz de garantir que era o melhor café do mundo. Simplesmente não nos apartávamos do hábito de adoçar o café. Nunca coloquei açúcar no chá, mas no café sim. Foi um longo aprendizado abandonar o açúcar para me entregar por inteiro aos prazeres que nem podia suspeitar que existiam, ao olhar aquele terreiro e seu tapete de grãos na minha infância.


Carlos Alberto Dória

@cadoria

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